Sou eu
Sou assim, mas meio assado. Preguiçoso, sou muito preguiçoso, mas disfarço. Sou falastrão e sou calado. Sou pelado. Pe-la-do, de roupa pelo adorno, mas o que sou está por baixo. Sou preto e branco, e na urna sou verde. Sou vocal, sopro e percussão. Às vezes sou cordas. Sou línguas todas. Sou línguas e bocas e dentes e hálitos, mas apenas os bons hálitos. Halls preto, em cima e em baixo. Sou música e também teatro. Sou o corpo todo, de braços e pernas e peitos e pescoços. Pescoços. E cabelos e olhos e olhares e cheiros e mordidas. Sou mordidas, canibal. Sou escrita, internet, TV, mas rádio não. Sou mais CD e pouco iPod. Sou retrô. Meio woodstok. SOU COCA-COLA! Sou purê de batatas, batatas fritas, casquinha de queijo com batata, batata assada e recheada. Sou gnochi de batatas. Sou manuscrito. Sou conversas com estranhos, sou gostos estranhos. Sou música estranha pra povo esquisito. Sou risada. Sou abraços, sou pedaços. Meio-hippie, meio conservador, tudo ao mesmo tempo. Sou slow food e finger food. Sou soul e sou funk. Sou da noite, da putaria, da mesinha da padaria. Sou cama, mesa e banho. Sou salgado, sou longas conversas, sou noites em claro. Sou contemplação. Desajeitado. Outono. Folgado. Tim Burtoon e Bertolucci. Muito olho e pouca boca. Muita perna e pouco braço. Sou desproporção. Sou eu.
Escrito por Daniel Ribeiro às 04h01
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