Oportunidade
O blogue da Fernanda D’Umbra é um lugar aonde sempre vou. Lá já encontrei coisas de uma profundidade que me tira o ar, como uma queda livre. Esses dias passando por lá encontrei um texto que me tirou o fôlego logo no primeiro trecho, abaixo copiado.
“Detesto esta palavra: oportunidade. Penso que vem carregada de uma obrigação, quase um compromisso com o acaso. Tipo algo que não se pode perder. Tenho medo de me obrigar a qualquer coisa apenas para não perder a tal da oportunidade”
Esta semana em meio a tudo o que acontecia o telefone tocou e uma puta oportunidade surgiu. Mais grana, tempo melhor definido, um quilhão de burocracias chatas e sem sentido e três quarteirões a pé. Uma oportunidade como poucas na vida.
A primeira reação foi de aceitação, de regozijo e agradecimento. Embora tudo mudasse com a nova empreitada, uma calma tomou conta de mim de forma que irritava. Não me abalei, não senti frio na barriga, nada.
Fui então para uma reunião com os novos manda-chuva do projeto. Um ambiente que me lembrou uma repartição pública, pessoas com cara de burocracia e muito dinheiro em jogo. No outro dia teríamos uma outra reunião com as mesmas pessoas para falar do mesmo assunto, mas em um outro lugar mais distante dali.
É mais fácil sentir tristeza com intensidade que alegria. Uma depressão instantânea me derrubou e eu pensei: “Por quê?” Não precisei me questionar muito para chegar a conclusão que eu não tinha qualquer compromisso com aquele acaso. Não precisava daquela oportunidade.
Descobri que sou tão feliz. Mesmo que não tenha viva com uma alegria tão intensa quanto aquela tristeza, eu sou feliz.
Entendi muitas coisas. Decepcionei uma meia dúzia de pessoas. Me senti em casa num lugar do qual eu estava me afastando. Aprendi algumas coisas. Perdi uma oportunidade. Ganhei uma quilhão de certezas.
Escrito por Daniel Ribeiro às 06h06
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