Por quês
Por que é que todo mundo tem um álbum ÍDOLOS no orkut com as fotos das pessoas que admira? Será uma tendência, tipo apagar scraps?
Por que é que todo mundo quer alguém para amar, para dar satisfação, dormir de conchinha, fazer planos para o futuro, ligar pra contar o dia, fazer massagens nas costas e no ego, lamber e roçar o instinto, falar com voz de bebê e inventar um apelidozinho cretino?
Eu não quero, mas me sinto tentado a fazer um álbum ÍDOLOS no meu orkut.
Escrito por Daniel Ribeiro às 23h44
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elas
Nessa semana, que está apenas na metade, eu fiquei muito feliz. Feliz por ela que voltou do outro lado do mundo cheia de sonhos. Mais que sonhos, ela voltou com planos reais e concretos. E me disse assim: “Eu me senti amada, de verdade”. Te digo uma coisa: Eu me senti feliz, de verdade. (Pelo jeito, ano que vou prazorópa num casamento)
Olhei nos olhos dela e disse: “Esses dias pensei em você, fiquei preocupado e descobri que tudo o que eu faço é inútil”. Não menti. Eu sempre leio, na maioria das vezes vários livros ao mesmo tempo. Por conta do meu trabalho, eu passo o dia todo monitorando notícias (isso quando não fico em reuniões que duram 4 horas) do mundo todo. Me preocupo em estudar algo novo, em me manter informado e informar os demais. Penso em projetos culturais o dia todo porque eu acho que a arte é importante. Trabalho muito durante muitas horas. Leio revistas, jornal, estudo um idioma novo, um instrumento novo. Fuço nos perfis de artistas do mundo todo descobrindo novas sonoridades, nuances, apelos, ritmos. Faço teatro, vou ao teatro, escrevo (!) teatro. E tudo isso pra que? O que importa na vida é o que te dá prazer.
Ela me mandou uma mensagem no celular. Disse que está feliz. Mas eu quero mesmo saber quem é o honey!
Escrito por Daniel Ribeiro às 00h11
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Fôlego
O mundo não pára de girar, nem pra eu tomar fôlego.
Escrito por Daniel Ribeiro às 12h13
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é preciso dançar
Enfrente o diabo dançando, minha filha. (disse assim o Seu Benedito pra menina aflita)
Escrito por Daniel Ribeiro às 17h48
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O valor de cada coisa ou Como o valor não tem valor ou O valor do ouro ou O valor do contexto ou O contexto do valor
Você compra um carro, paga um preço alto, muitos impostos, documentação e quando tira da loja, ele perde valor. Sua roupa de marca da mais recente coleção desfilada nas semanas de moda mais importantes do mundo, vai perdendo valor a cada daí. O relógio que seu avô levou e trouxe de volta da II Guerra ganha valor a cada dia.
Mudei de casa há poucas semanas e na mochila vieram algumas coisas de valor que não deixei virem de outro modo senão comigo. O ouro muda muito de valor, todos os dias é preciso checar nos jornais os gráficos do outro. Mas mais valor mesmo ele tem é quando está no dedo, no pescoço e até nas orelhas ou em outros lugares.
Estou ficando mais caro. Minhas palavras a até a minha opinião (!) têm um preço diferente do que antes, mais alto (seja falada ou escrita). Mas tudo isso por conta do momento. O valor das coisas está mesmo é no contexto. Um jantar e um almoço de alta gastronomia pode custar R$ 400 para alguns, para mim não custou nada. Tem mais valor minha opinião que meu dinheiro.
Escrito por Daniel Ribeiro às 20h26
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Le cose che mi hanno detto
Há uma canção italiana que gosto muito chamada ‘Le cose che mi hanno detto’, que significa ‘as coisas que me disseram’. Ouvi muitas coisas em Paraty, nessa última edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) , de onde voltei ontem à noite.
Algumas frases ficaram ressoando na cabeça. Coloquei aqui, sem créditos para que não haja julgamentos, apenas reflexões. Depois conto da viagem, que foi importante sob vários aspectos.
“Só quero deixar claro que nós fazemos sexo em Portugal”
“Uma mesa feliz é onde não se contam os bifes”
“É mais fácil brasileiro mudar de sexo que mudar de time”
“Então a gente não mora dentro da Terra?”
“Eu não sou gay o suficiente”
"Eu capturo moscas e alimento minhas aranhas. É tudo o que eu faço durante o dia"
“Livros não se emprestam e não se devolvem”
“Vida de artista é fácil sim”
“Eu vivo pelo mar”
“A natureza me limpa, me acalma, me protege, me consola e me prepara para receber a energia das pessoas, suas histórias e emoções”
“Eu gosto de ir para lugares que são longe de onde estou. Gosto de sentir a distâcia”
“Senti uma vitalidade no Brasil que não tinha mais na Europa”
“A primeira escolha foi pelo Brasil, a segunda foi por São Paulo”
“Perguntei ao candidato à presidência de Portugal: O que o senhor faz para conciliar a carreira de político com as obrigações de pai e marido? Ele ficou atônito e eu também, afinal é isso que as revistas femininas querem saber, como a mulher concilia a carreira com os filhos”
“Estou com excesso de fluídos corporais. Preciso trepar”
“Nos estados você pode falar sobre dinheiro. Você pode olhar para o seu amigo e dizer ‘Que lindo relógio’ e ele te responderá ‘Que bom que você gostou, me custou 4 mil’”
“Se você é lésbica no Brasil e gosta de ficar com rapazes, tudo bem. Se você é lésbica nos Estados Unidos, não ouse olhar para um homem, pois lésbica é o que você é, é como te rotularam e como você deve agir”
“Borges escreveu todo o passado da literatura argentina e o futuro também”
“Fugi. Ninguém corria atrás de mim, mas eu não queria mais estar lá”
“Os pequenos detalhes criam um mundo imaginário”
“Se os marcianos chegassem, eu não teria aula no dia seguinte”
“O nosso maior problema é que ninguém tem nada com isso”
“Ah, nós somos tão geniais”
“Qual é o problema de uma mulher fazer felação num cavalo se ambos têm prazer com isso?”
“O terrorismo islâmico é uma forma de perversão. A motivação dos homens bomba é que eles vão ter quarenta virgens no céu se fizerem tudo certo”
“As histórias se apóiam num mundo que existe na mente de quem as escreve”
“Um livro só pode ser bom ou ruim se for lido”
“Toda vez que deixei a arte, a vida me cobrou um preço muito alto”
“Os problemas de um país começam quando o produto interno é desvalorizado. Os brasileiros só querem tomar a cachaça mais barata”
“O mastro dele entrou no búzio dela”
“Bunda é uma palavra muito mais sexy que cu”
“Uma foto com o Érico Veríssimo eu vou tirar” (se referindo a Luis Fernando Veríssimo)
“Estou a vir, em Portugal, quer dizer estou gozando”
“Existe uma noção de sexo saudável e sexo não-saudável. Eu refuto essa idéia”
“Os heróis estrangeiros são chamados pelo sobrenome, como Zidanne. Os nossos são Ronaldinho, Cacá...”
“Eu não gosto de ter imagem dos personagens na capa do livro, atrapalha a imaginação do leitor”
“Estou cansada de ver inúmeras violações aos direitos humanos serem justificadas pela tradição”
“Quando um homem escreve sobre outro homem é algo universal. Quando uma mulher escreve sobre outra mulher é algo do gueto, algo particular. Isso é frustrante”
“Se você pergunta a um marceneiro se ele faz uma cômoda bonita e ele diz que não, você o acha incompetente. Se pergunta a um artista se ele é bom e ele diz que sim, você o acha arrogante”
“Claro que eu queria acertar as contas com minha mãe quando escrevi o livro”
“Se uma coisa é 97% verdadeira, pra mim já verdadeira o suficiente”
“Não troco isso aqui por nada”
“Tenho saudade de quando eu acordava e continuava sonhando”
“Claro que eu fujo dos judeus, eu sou um deles”
“Os coelhos não estão nem aí para nós”
Escrito por Daniel Ribeiro às 16h35
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Oportunidade
O blogue da Fernanda D’Umbra é um lugar aonde sempre vou. Lá já encontrei coisas de uma profundidade que me tira o ar, como uma queda livre. Esses dias passando por lá encontrei um texto que me tirou o fôlego logo no primeiro trecho, abaixo copiado.
“Detesto esta palavra: oportunidade. Penso que vem carregada de uma obrigação, quase um compromisso com o acaso. Tipo algo que não se pode perder. Tenho medo de me obrigar a qualquer coisa apenas para não perder a tal da oportunidade”
Esta semana em meio a tudo o que acontecia o telefone tocou e uma puta oportunidade surgiu. Mais grana, tempo melhor definido, um quilhão de burocracias chatas e sem sentido e três quarteirões a pé. Uma oportunidade como poucas na vida.
A primeira reação foi de aceitação, de regozijo e agradecimento. Embora tudo mudasse com a nova empreitada, uma calma tomou conta de mim de forma que irritava. Não me abalei, não senti frio na barriga, nada.
Fui então para uma reunião com os novos manda-chuva do projeto. Um ambiente que me lembrou uma repartição pública, pessoas com cara de burocracia e muito dinheiro em jogo. No outro dia teríamos uma outra reunião com as mesmas pessoas para falar do mesmo assunto, mas em um outro lugar mais distante dali.
É mais fácil sentir tristeza com intensidade que alegria. Uma depressão instantânea me derrubou e eu pensei: “Por quê?” Não precisei me questionar muito para chegar a conclusão que eu não tinha qualquer compromisso com aquele acaso. Não precisava daquela oportunidade.
Descobri que sou tão feliz. Mesmo que não tenha viva com uma alegria tão intensa quanto aquela tristeza, eu sou feliz.
Entendi muitas coisas. Decepcionei uma meia dúzia de pessoas. Me senti em casa num lugar do qual eu estava me afastando. Aprendi algumas coisas. Perdi uma oportunidade. Ganhei uma quilhão de certezas.
Escrito por Daniel Ribeiro às 06h06
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O desconforto do amor
Fazer amor é complicado. Fazer é amor é praticar o amor, materializar um conceito atemporal e intangível, expressar um abstrato de maneira clara, ter prazer e dar prazer. É difícil e sobretudo desconfortável.
Sim, desconfortável. Não quero dizer de forma alguma que é ruim. Mas exige preparo físico, disposição e certas abdicações. Às vezes é preciso abrir mão de certos confortos para que o amor flua. Não me venha discordar de imediato. Pense um pouco. Você precisa se encaixar, deixar espaço para os movimentos, controlar os movimentos sem deixar de perder o controle. Fazer amor é uma arte, só a prática leva à perfeição. É preciso experimentar, ousar porque ao contrário de outras expressões o amor nunca se completa, o ato nunca está pronto. O amor não tem limites, os praticantes sim.
O mais curioso é que os profissionais do amor são frios. Quanto mais você tenta se profissionalizar, mais mecânico fica e perde a graça. O barato do amor é ser desajeitado, levemente dolorido (sim o amor dói um pouco, senão na hora, dói depois), engraçado.
O amor não é coisa de profissional, só os amadores fazem bem.
Escrito por Daniel Ribeiro às 19h36
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Contradições
Nunca acreditei naquele lance de: Diz-me com quem andas que te direi que és.
E acredito menos a cada hora. Na sexta-feira era um teatro com tratamento acústico de prima, atores com cara de sopa em frente à TV, um cenário de tecidos caros e peles vestindo jóias na platéia. Em seguida, um outro teatro com cenário barato e atores que se entregam, estes mais viscerais e inteiros, uma platéia bicho-grilo neo-hippie.
No sábado, uma pequena viagem, pastéis com chopp, gente tranqüila que falava de música, a música e um cenário que faz você se perder com facilidade. À noite um carro com a porta amassada para tirar a chave de dentro, uma mesa de madeira, gente que eu amo e não lembrava, balas 7belo, saudade, som e suor.
Não há pessoas iguais e é isso que me faz amá-las de tantas formas. Se podem dizer quem sou pelos quais me acompanham, dirão que sou muitos. E se contradirão.
Escrito por Daniel Ribeiro às 11h34
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Do blog da Márcia Frazão
No meu funeral, quero estar gostosa como uma estrela saída da tela. Quero poetas, pintores, cantores, e atores mas não quero nenhuma vela. No meu funeral quero piadas e risadas quero beijo na boca, vinho, e perversão. E... por favor, não fechem o caixão.
Escrito por Daniel Ribeiro às 14h43
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