salada

Gosto de conhecer gente sempre. Escutar a história de cada um, ouvir os porquês e as dúvidas. E por isso, toda vez que alguma coisa acontece no mundo, eu sinto que faço parte. Conhecer pessoas tão diferentes e aparentemente distantes umas das outras faz do meu mundo um lugar bem pequeno. No meu mundo os tatuados sentam na mesa dos evangélicos ao lado do povo do teatro e de frente pros que trabalham em banco.

 

 

Conheço a Mariana que é bruxa. Conheço o Marcola que é tatuado e o Andy que é tatuador. Conheço a Maria Clara que é transexual e a Fábia, que também é. Conheço a Sil que é atriz e diretora. Conheço a Aninha que é atriz e sapeca. Conheço a Val que é dona de bar e a Cláudia que toca sax, elas vivem de festa. E conheço o Márcio que adora festa. Conheço a Lena que estuda arquitetura e o Felipe que estuda radiologia. Conheço a Débora que viaja para trabalhar e a Tex que trabalha para viajar. Conheço a Marga que morou em Buenos Aires, a Amanda que morou em Toronto e Dublin, a Mirella que morou em Malta. Conheço a Carol que ama sertanejo, o Gabriel que toca death metal, o André que curte ska e a Julia que escuta novos Baianos. Conheço a Karin que é dentista, o Flemming que é vidraceiro, o Paulo que escreve e a Juliana que tem um Pet Shop. Conheço gente que mora aqui, que mora em Minas, na Bahia, no Paraná, no Piauí, no Rio Grande do Sul e em Belém do Pará. Tem gente que eu conheço em Paris, em Sydney, em Washington, em Zagreb, em Ljubliana, em Piumhi, em Nova York, em Santiago, em Barcelona e em Genebra. Conheço o Gil que toca guitarra e o Georg que toca baixo. Conheço a Magali que toca trompa e a Carol que toca trombone. Conheço a Mayara que cuida do meio-ambiente e o Aécio que é mecânico. A Elisa que é produtora, o Daniel que é produtor e Zé que é ceramista. Tenho amigo que é gay. Amigo que votou no Lula e se arrependeu, amigo que votou e tem orgulho. Conheço gente que acha o Kassab um bom prefeito, e uns que sentem saudades da Marta Suplicy. Conheço a Talita que é evangélica, o Paulo que é de umbanda, o Felipe que é de candomblé, a Dara que é judia, a Geisa que é budista, a Daniela que é católica e a Andrejia que é atéia. Conheço gente que acende vela pra Deus e pro Diabo e sei de amigos que não acendem vela nunca. Tenho amigo fotógrafo, acordeonista, de cabelos azul e de cabelo vermelho. Tenho amigos que queriam trabalhar em um banco e tem a Ju que fechou todas as contas e se recusa a pagar qualquer taxa. Tenho amigos na favela e tenho amigos nos jardins. Tenho amigo bailarino, tenho amiga bailarina, tenho amigos que usam drogas e tenho amigos que não comem carne. Conheço gente que não gosta de voar, mas voa. Conheço gente que não gosta de beber, mas bebe. Tenho amigos que se cortam e gostam de apanhar. Conheço a Emilia que faz performances. Conheço a Carla que se formou em física. Conheço o João que é produtor musical e o Bruno que é surdo. Conheço o Junior que usa cadeira de rodas e o Marcelo que usa óculos. Conheço dois Rafas que fizeram educação física, um Rafa que faz artes do corpo, um que não faz nada, um que é jornalista, um que é pai. Tenho amigos casados, separados, que namora, que traem, platônicos, daltônicos, compulsivos, incisivos. Conheço filhos de Xangô e filhas de Nana. Conheço testemunhas de Jeová e Xintoístas, além dos Shivaístas.

 

 



Escrito por Daniel Ribeiro às 03h02
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生き甲斐 OU não posso morrer em dia de feira

A parte norte da principal ilha do arquipélago de Okinawa, no Japão, é uma das regiões do mundo que os pesquisadores sociais chamam de blue zone. Isto significa que lá encontra-se um dos maiores índices de longevidade com saúde, as pessoas dessa parte da ilha vivem muito e muito bem. Eles geralmente morrem com idade entre 100 e 108 anos.

 

Um dos fatores que contribuem para tal feito é uma palavra japonesa que não tem tradução: Ikigai,( 生き甲斐 ), que é a razão pala qual as pessoas acordam todos os dias pela manhã e vivem. Ikigai é o sentido que cada um encontra para a sua própria vida e, na maioria das vezes, é a realização de uma tarefa simples como pescar três vezes por semana. O conceito é algo leve, não exatamente o sentido da vida como entendemos no ocidente, fruto da melancolia e Ulisses, tarefas de Hércules, e outros mitos gregos que nos fazem pensar que a vida só vale a pena se fizermos algo grandioso e heróico. O Ikigai é o dia-a-dia, o acordar e pensar: “hoje é dia de feira”. Não posso morrer em dia de feira.

 

Aqui nestas bandas ocidentais precisamos que alguém nos dite o que fazer, por isso gastamos 29,90 mais frete e esperamos até um dia útil para receber uma caixa do submarino com uma brochura que traz uma suposta revelação que vai mudar as nossas vidas para sempre. Instantaneamente passamos a acreditar que atraímos as coisas que pensamos e começamos então a visualizar em tudo aquilo que  todo o mundo deseja. E você se vê pilotando (não sei se este é o verbo mais adequado) um iate próximo da sua bela mansão a beira mar onde sua mulher loira-alta-siliconada-botocada-lipoesculturada te espera para fazer um sexo incrível que até pode ser sem camisinha porque ela já é tão plastificada mesmo e vocês terão lindos filhos, tão lindos que pouco se parecerão com você e enfim você voltará para a sua cobertura e seu belo escritório de gerente.

 

AH, o mundo perfeito. Onde todos moram em uma cobertura e são gerentes já que as fábricas não precisam de outros funcionários para cumprirem diferentes funções e todos moram em coberturas na cidade dos prédios de um andar para que todos sejam cobertura e assim o mundo volta a ser como sempre foi cheio de pessoas exatamente iguais ás outras pessoas embora tenham a nítida sensação de que são diferentes.



Escrito por Daniel Ribeiro às 04h40
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"Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor"

FRIDA KHALO



Escrito por Daniel Ribeiro às 05h38
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de verdade

Eu não sei dosar. Não sei medir. Sou daqueles que não fazem idéia de qual é o tamanho de um apartamento de 80 metros quadrados. Mas sei o que é grande e o que é pequeno.O que é de verdade e o que é de mentira. O que é de mentira não dá medo. O que é de verdade, sim.



Escrito por Daniel Ribeiro às 05h59
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H A P P Y   H A L L O W E E NPassando mal



Escrito por Daniel Ribeiro às 22h34
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Sou eu

 

Sou assim, mas meio assado. Preguiçoso, sou muito preguiçoso, mas disfarço. Sou falastrão e sou calado. Sou pelado. Pe-la-do, de roupa pelo adorno, mas o que sou está por baixo. Sou preto e branco, e na urna sou verde.

 

Sou vocal, sopro e percussão. Às vezes sou cordas. Sou línguas todas. Sou línguas e bocas e dentes e hálitos, mas apenas os bons hálitos. Halls preto, em cima e em baixo. Sou música e também teatro. Sou o corpo todo, de braços e pernas e peitos e pescoços. Pescoços. E cabelos e olhos e olhares e cheiros e mordidas. Sou mordidas, canibal.

 

Sou escrita, internet, TV, mas rádio não. Sou mais CD e pouco iPod. Sou retrô. Meio woodstok. SOU COCA-COLA! Sou purê de batatas, batatas fritas, casquinha de queijo com batata, batata assada e recheada. Sou gnochi de batatas.  Sou manuscrito.

 

Sou conversas com estranhos, sou gostos estranhos. Sou música estranha pra povo esquisito. Sou risada. Sou abraços, sou pedaços.

 

Meio-hippie, meio conservador, tudo ao mesmo tempo. Sou slow food e finger food. Sou soul e sou funk. Sou da noite, da putaria, da mesinha da padaria. Sou cama, mesa e banho. Sou salgado, sou longas conversas, sou noites em claro.

 

Sou contemplação. Desajeitado. Outono. Folgado. Tim Burtoon e Bertolucci. Muito olho e pouca boca. Muita perna e pouco braço. Sou desproporção. Sou eu.



Escrito por Daniel Ribeiro às 04h01
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Deus fez a cabeça acima do coração para que o sentimento não ultrapasse a razão




Escrito por Daniel Ribeiro às 05h11
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Às vezes quando você muda os planos, a vida acontece. Ou quando os planos dão errado. Posso estar redondamente enganado, mas acho que foi o John Lennon que disse que a vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos. Não vou googlar agora pra ver se foi ele mesmo, mas deve ter sido. Então, vamos jogar todos os planos rabiscados com grafiti o.7 em papel sulfite tamanho carta pelo janela num dia de vento. Que eles voem, porque preso em casa eles não acontecem. Nem eles e nem eu! Fui voar e já volto. Ou não.



Escrito por Daniel Ribeiro às 02h47
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M diz:
eu admiro mto como vc começa as conversas sabia? pq sei la, pra mim uma conversa q começa com oi, tudo bem? nao tem mto futuro, vc sim sabe introduzir uma conversa, parabens



Escrito por Daniel Ribeiro às 18h54
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prazeres tecnológicos

No ônibus, voltando de uma peça sobre a guerra e a solidão, a garota do meu lado argumentava com a amiga que ela prefere comprar um celular mais moderno, já que ela terá de pagar em dez vezes e se comprar o celular do amigo que ofereceu por setecentos reais daqui a três meses ele já não será mais tão moderno e por isso ela prefere comprar na loja porque pagando em dez vezes a prestação fica mais suave e ela então poderá ter um celular mais moderno por mais tempo com todos os recursos e ela pode optar por um sistema de crédito porque se ela estiver sem grana num mês pode colocar menos créditos e nos outros variar e assim ela pode ter um telefone que preencha todas as necessidades dela além do que setecentos reais por um aparelho usado não dá né e depois quando for vender daqui a seis meses, ninguém vai pahgar setecentos e no fim das contas ela vai é perder dinheiro mesmo. Do outro lado, nos bancos do lado de lá do corredor uma menina começou a gritar porque o cara do lado dela estava se masturbando e lembrei que uma amiga já passou por uma situação assim, o ônibus estava lotado e o cara se masturbando do lado dela, uma coisa horrível enquanto do meu lado a pessoa ainda argumentava sobre o preço do celular que ia desvalorizar muito e as prestações, o cara não pensava no futuro, na tecnologia que ia se perder, em nada, só se preocupava com seu prazer monetaneo, só queria gozar ali ao lado da moça que talvez fosse a mais bonita que ela já tinha visto porque era uma das mais bonitas que eu já vi e eu tenho parâmetro porque já fui no São Paulo Fashion Week e vi a Gisele Bündchen desfilar. Chegando em casa eu pensei que era mesmo um absurdo o amigo querer setecentos reais por um celular que não vai mais estar na moda daqui a três meses.



Escrito por Daniel Ribeiro às 23h45
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